A Fábula da Caneta que Virou Epidemia
👑Era uma vez um reino onde se acreditava que uma simples caneta possuía poderes mágicos. Dizia-se que, quando a caneta escrevia sobre o que via, os habitantes do castelo adoeciam. Uns sentiam febre de indignação, outros desmaiavam de vergonha, e muitos corriam para os médicos do reino, pedindo atestado, como se as palavras fossem vírus invisíveis.
⚖️Reuniram-se então os grandes conselheiros do reino e decretaram:
- Proíbe-se a caneta de escrever! Pois sua tinta causa mal-estar, sua narrativa corrói paredes e sua gramática ameaça a ordem do reino.
🖋️Mas a caneta, humilde, respondeu: "Eu apenas relato o que observo. Se minhas palavras doem, não é porque eu invento, mas porque refletem a verdade. O desconforto não vem da tinta, mas do espelho que ela oferece."
🏛️Indignados, os conselheiros bateram o martelo: "Se a escrita causa tanto incômodo, que cesse a escrita! Não se deve mais narrar, registrar, nem contar. O silêncio é a política mais segura, e o esquecimento, o remédio mais eficiente."
🎭E assim, numa virada tragicômica, descobriu-se que no reino a liberdade de relatar era mais perigosa do que qualquer injustiça. A liberdade virou peste, e a caneta foi tratada como arma química.
📌Moral da história: quando um grupo teme mais o cronista do que a própria injustiça, não é o escritor que está adoecendo o ambiente — é o ambiente que já nasceu enfermo, e agora, desesperado, busca um bode expiatório.
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