📖 A Parábola da Ata Não Assinada
Havia uma aldeia onde todas as decisões eram registradas em pergaminhos chamados Atas. Esses pergaminhos eram como espelhos da verdade: quem os assinava confirmava sua presença, sua palavra e sua responsabilidade diante da comunidade.
Um dia, ocorreu um Conselho tumultuado, onde um aldeão fora humilhado diante de todos. O agressor, valente no ataque, mostrou-se frágil diante do papel: até hoje não ousou colocar sua assinatura no pergaminho daquele dia.
O tempo passou, e os líderes da aldeia — em vez de cobrar a assinatura daquele que atacou — passaram a exigir com frequência a rubrica do aldeão ferido em novos pergaminhos. Como se cada nova assinatura fosse um laço de obediência, um modo de silenciar a voz que questionava, de naturalizar a injustiça anterior.
E assim, o que deveria ser apenas registro da memória, transformou-se em armadilha política: para uns, a ata virou escudo contra responsabilidade; para outros, virou coleira de submissão.
Moral da história: Na aldeia, percebeu-se que quem foge da assinatura teme a verdade, e quem assina sem prudência acaba virando cúmplice do silêncio.
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